| Texto publicado em 18/03/2010* - 22:18, quinta-feira. | por Cassiano Santos Cabral | | *Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 2 anos e 2 meses! |  Confissões de um ex-obeso No ano passado, com o peso muito acima do desejado, entrei no ônibus em Porto Alegre e sentei no banco preferencial, o qual é reservado para gestantes, idosos, portadores de deficiência física e obesos, sendo que me enquadrava na última categoria. Afinal, com um grau de obesidade 2 ninguém poderia me tirar de lá, pois eu fazia parte deste grupo e estava usufruindo desta condição, enquanto muitas pessoas estavam de pé.
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 Pensando melhor achei que deveria tomar uma atitude e logo resolvi emagrecer e felizmente consegui reverter este quadro crítico, sendo que hoje aquele banco não é mais para mim. Eu precisava sair do banco dos obesos e conquistar o direito de ficar em pé no ônibus. Graças a Deus eu consegui.
É engraçado ver a vida com uma diferença de 35 quilos a menos. O mundo parece mais leve. As roupas ficam folgadas no corpo e as pessoas começam a te dar mais atenção e tratar com mais respeito. Sim, o respeito de quem teve força de vontade para conseguir emagrecer, sem remédios e nem cirurgias, quem conseguiu romper a barreira do 3º dígito.
Passamos a perceber o quanto as pessoas comem, comem e comem. Pratos generosos nos restaurantes. Muitos copos de cerveja e vinho. Doces e massas. Ficamos com pena daquelas pessoas com um abdômen protuberante e que caminham com os braços abertos. A obesidade é uma doença e merece ser tratada como tal, mas o gordo é alvo de preconceito e de deboche dos outros e isto é mais terrível do que a própria gordura. Vivemos sim num mundo de aparência e isto é fato.
E depois que se consegue perder muito peso a comida não é mais tão atrativa, descobrimos o prazer de comer cenoura, alface e rúcula. A comida é muito mais saborosa na nossa imaginação do que pelo sabor em si. E a saudável fruta, por melhor que seja, engorda também, então a regra é a moderação, afinal, precisamos escapar do terrível ‘efeito sanfona’ o que somente 20% das pessoas conseguem, conforme reportagem recente da Revista Veja.
Quem perdeu bastante peso, quase não se reconhece nas fotos passadas. E pensamos o motivo pelo qual chegamos a um peso tão elevado. Com um peso mais leve elevamos e muito nossa autoestima, nada de evitar fotografias, nem ficar de camisa na praia ou procurar esta ou aquela loja que tenha o nosso numero de roupa. A passagem da calça 52 para 44 é algo incrível, assim, como a camisa 6 para o 4 e o tamanho GG para M, é simplesmente espetacular.
Perder peso associado a uma atividade física é das melhores coisas da vida. Claro que passamos a raciocinar em calorias, o que deve e o que não se deve comer. Nos restaurantes, vale a regra de um grelhado e muitas saladas, nada de carboidrato e nem doces. O refri pode ser o light. Enfim, existem muitas situações que nos tentam para que comamos mais e ainda pessoas que dizem a famosa frase ‘só hoje ou não será isso não vai engordar’. São os verdadeiros ‘amigos da onça’. Uma pequena porção engorda sim e aciona metabolismo do corpo que pede mais comida. Aposte nos iogurtes lights e gelatina zero, elas ajudam a combater a falta do doce no organismo. E se sair da dieta um dia ou no final-de-semana não se desespere, compense durante a semana,comendo menos e se exercitando mais.
O importante é não sair do foco e não fazer concessões com a comida. Na negociação ‘o gordo’ sempre ganha, pois ele existe em nós e a vontade de comer existe sempre, ainda que seja de modo controlado. O prazer de ficar magro e de viver uma vida saudável é maior do que o prazer de comer. Os carboidratos devem ser evitados, pois eles aumentam o nosso apetite.
Não existe dieta milagrosa. Existe um ser humano dentro de você que quer muito atingir um objetivo. As comidas não atacam você no restaurante e nem ninguém abre a sua boca e coloca dentro dela uma fatia pizza. Só comemos se quisermos comer. Dentro de nós existe uma força insuperável capaz de resistirmos as tentações e não comer e com isso adquirimos um maior domínio sobre nós mesmos. Nos tornamos senhores da nossa vida e passamos a exercer com equilibro e bom senso nossa capacidade de escolha e o que nos convém.
Conto com o apoio do CREEO (Centro de Recuperação e Estudos da Obesidade), um grupo maravilhoso que se reúne 3 vezes por semana para debater os dilemas do obeso. Contamos com apoio nutricional, médico e atividade física. Não tomamos remédios. Não existem inibidores de apetite e todos perdem peso e ganham em qualidade de vida. Estou feliz e lá aprendemos algo muito importante, quando bate a vontade de comer, pois dizemos ‘hoje, não’. Assim, dia a dia, vamos construindo um futuro melhor.
Estou contente, desde maio do ano passado, já foram 35 kg, dos quais 25 com o CREEO, desde outubro do ano passado. Faltam apenas 5 kg para a manutenção que vai ser para a vida toda.
Dentro de nós existe toda a força que pode ser canalizada para qualquer setor da vida. O peso em excesso é um mal. Não existem gordos felizes, existem gordos conformados com esta condição, mas existe uma saída e ela está dentro de você. |  | |
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