| Texto publicado em 11/03/2010* - 08:28, quinta-feira. | por Marília Daros | | *Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 2 anos e 2 meses! |  Salvemos as velhas casas coloniais de Gramado Dezenas de casas enxaimel, de herança alemã e outras tantas construídas em madeira nobre de nossas araucárias, de herança italiana, espalhadas por todo o nosso interior, estão em perigo de extinção. Escutem o que estou falando. O assunto é sério.
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| | Uma casa enxaimel fotografada em 1996 e que talvez nem mais exista no interior da Linha Marcondes, em Gramado. |
Mais de um século se passou desde que nossa vida colonial iniciou e foi neste tempo, nas terras de Gramado, que tomou o formato que hoje possui.
Comemorar tudo o que nossos colonos trouxeram, da forma que o fizeram, com a mesma alegria e esperança, é uma maneira de dizermos “obrigado” ao passado, e de alcançar, com cultura e respeito, o futuro. É uma forma de festejarmos a vida, a identidade, a fé neste futuro que, lá no passado, eles projetaram e protegeram para seus descendentes.
Suas vestimentas, ao trabalhar, ao ir na igreja, ao vizitar os vizinhos e amigos, ao se despedir dos mortos, ao casar, ao batizar, ao passear, fazem uma fatia especial nesta história, e como em todos os municípios, Gramado também tem seu legado nesta parte, garantindo uma cultura singular que vale ser contada, e principalmente, preservada.
Mas mais do que a gastronomia, a forma de vestir, a religiosidade, a forma de plantar e de colher, a maneira de falar e se comunicar, a forma de se divertir, nossos colonos herdaram um outro grande dom de seus antepassados. A forma de construir.
Dezenas de casas enxaimel, de herança alemã e outras tantas construídas em madeira nobre de nossas araucárias, de herança italiana, estão espalhadas por todo o nosso interior. Mas estão em perigo de extinção. A moda construtiva, esta moda que não respeita nada, nem mesmo os materiais que usa, está acabando com a história de nossas famílias do interior, que vendem, a “troco de bananas” suas antigas casas coloniais, para serem transformadas em material de construção ou, o que é pior, deslocadas para espaços públicos, sem trazerem consigo, a vida que nelas aconteceu e a herança cultural de seus antigos habitantes. E ainda, são deslocadas de seu habitat colonial, para conviverem, de forma errônea, no meio urbano.
Isto está acontecendo aqui, e em quase todo o país que prefere argumentar esta intervenção, dizendo que esta ou aquela casa estavam condenadas, por serem velhas e em desuso.
O que está ocorrendo também, é que nossos colonos estão sentido a possibilidade de fazerem de seus redutos familiares coloniais, espaços de agroturismo, o que tem feito muitos estarem arrependidos de terem vendido casas históricas que poderiam hoje servir de atrativo para nossos visitantes.
Tenho recebido denúncias de casas já vendidas e que, a qualquer momento, serão demolidas e suas madeiras aproveitadas para a arquitetura que se instalou doidamente em nossa região. Se for verdade tudo o que estão a me informar pessoas preocupadas e anônimas, então, certamente, um grande vazio acontecerá em nosso interior e sua grande história se perderá por completo quando estas casas cairem.
Escutem o que estou falando. O assunto é sério. O assunto é triste e desesperador para uma terra que quer afirmar sua história de uma forma indelicada para com os antepassados.
Precisamos encontrar uma forma de não olvidarmos e de continuarmos progredindo sem agredir nossos velhos e caros ascendentes.
Precisamos pedir ao nosso interior que não perca seu passado, que não se envergonhe dele.
Que não se desfaça de suas velhas casas coloniais.
Que salvem a memória de suas famílias. |  | |
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