| Texto publicado em 18/05/2010* - 14:47, terça-feira. | por Marília Daros | | *Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 2 anos! |  O Mercado da Cultura Homenagem à Semana Internacional dos Museus e ao Dia Internacional dos Museus, 18 de maio.
O mercado da cultura hoje em dia, não vende a cultura real das comunidades.
O mercado da cultura está assustador...
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| | Chapéu do Dr. Ricardo Sturmhoffel, pioneiro médico alemão, naturalista, radicado em Gramado,com data aproximada de 1918, e que ainda não mereceu seu lugar na história de Gramado. |
A sensação que tenho sobre este assunto cada dia mais me assusta.
Como uma agente cultural de longa data e com os olhos voltados para o dia-a-dia da vida cultural, não só de minha cidade, mas de todo um processo de entorno, tenho visto a cultura ser definida e praticada de diversas formas.
A mais comum é aquela praticada pelos projetos, ditos culturais, que levam as verbas destinadas à cultura, para bem longe dela. E é bem simples de se explicar isto. Basta pensarmos que, para que um projeto seja realmente cultural, ele precisaria ser montado por elementos ligados à cultura e, o mais essencial, investido em ações que mostrem, que mapeiem, que destaquem os anseios culturais das comunidades para onde este projeto se direcione.
Desta forma, o que temos visto é um grande volume de verbas culturais serem investidas na educação, no turismo, no esporte, na saúde e em eventos de mercado da cultura. Verbas que passam ao largo da “identidade cultural” e da “preservação da memória popular”.
O mercado da cultura hoje em dia, não vende a cultura real das comunidades. Vende adereços e fantasias de espaços humanos que estão distantes da sua verdadeira identidade e de sua real personalidade.
O mercado da cultura despersonaliza a cada dia tudo quanto temos de mais precioso, que é o nosso conteúdo ético e étnico.
Distância cada vez mais o investidor do investimento cultural.
A maior parte dos investidores culturais, em que LIC e MINC depositam confiança e onde são buscados os recursos para a comercialização da cultura, a maior parte destes investidores não conhecem os produtos culturais reais, das comunidades onde este investimento foi aplicado.
O mercado da cultura está totalmente desinformado sobre o que, realmente, é verdadeiro e correto para receber o seu investimento.
O mercado da cultura está assustador...
Artistas, artesãos, centros culturais, bibliotecas, orquestras, teatros, praças, museus, obras de arte urbanas, patrimônio histórico, hábitat natural, suportes materiais de uma cultura cuidada e amada, estão totalmente desprotegidos dos espaços da moderna comercialização da cultura.
Todos estão bem longe do mercado cultural realmente comunitário...
E se a vida parece próspera para uma cidade, ela não está sendo próspera para a cultura desta cidade.
Olhem bem ao seu redor, a tudo o que está acontecendo, e vejam se não estou falando a verdade...
O pior cego é aquele que não quer ver.
Nesta data que pretende chamar a atenção para a preservação dos suportes materiais da história das comunidades em espaços especialmente fortes para isto, que devem ser os MUSEUS, rendo minha tristeza diante da impotência da simples e amorosa cidadã que sou, enquanto não consigo cativar o poder, sobre o valor cultural de um MUSEU, pura e simplesmente, histórico, como o Museu Histórico Municipal Professor Hugo Daros. |  | |
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