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Gramado - Serra Gaúcha

/ Cultura
Marília Daros
Texto publicado em 23/06/2010* - 12:46, quarta-feira.por Marília Daros
*Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 19 meses!
Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro
Este é o título da Campanha da Fraternidade da CNBB em 2010. Isto será apenas um título ou uma mensagem séria?
Quando tentamos “sentar em duas cadeiras”, não só corremos o risco de cair, mas, essencialmente, mostramos que não sabemos qual cadeira sentar, e isto, aprendi, é falta de personalidade, de rumo, de identidade. Não se pode ter felicidade gerada sobre os escombros dos outros.

Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro
Ato inaugural da colocação da Pedra Fundamental da Igreja Matriz de Gramado, tendo Pároco Guilherme Máschio, Dr. Carlos Nelz, Major José Nicoletti Filho (Sub Intendente) e Francisco Lorenzoni, bem como toda a comunidade católica a testemunhar o evento. Ac
Isto será apenas um título ou uma mensagem séria?
Aprendi na Bíblia Sagrada que “ninguém pode servir a dois senhores”... e tudo o que aprendi, parece que ficou para trás.
Será que ficou mesmo?
Será que não precisamos pensar melhor no que isto quer dizer? Não sou Teóloga e não sou leitora assídua da Bíblia. Sou uma leitora ocasional.
Mas existem frases que ficam sempre em nosso inconsciente estudantil, das catequeses, dos ministérios, dos curcílios que fiz na minha adolescência. Certamente, foram mensagens que procurei salvar na minha vida diária, pois sempre acreditei nelas. Sou criada Católica Apostólica Romana em todas as minhas genéticas. Mas, em alguns momentos, questiono este aprendizado.

Gramado está vivendo um momento de questionamentos de fé.
Ou bem somos católicos e respeitamos o que nossos avós e antigos membros da igreja ensinaram e construiram, ou bem, esquecemos tudo.

Outro questionamento é a cidadania que isto produz.
Ou bem sou um cidadão consciente de minha responsabilidade social em minha comunidade, ou bem, me entrego ao consumismo brutal que tira a sensibilidade das pessoas. Ou sou uma coisa, ou sou outra. E não posso ficar mudando ano a ano este meu ser.
Tem uma frase bem brasileira que diz bem isto: “uma coisa é uma coisa, outra coisa, é outra coisa!”

Quando me formei na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 1969, depois de 19 anos de estudos ininterruptos, o lema era: “Criar é dar sentido à vida”, frase do saudoso professor, arquiteto e aquarelista, Carlos Antônio Mancuso. Aprendi ali, complementando minha educação de base familiar, comunitária e religiosa, que, toda vez que eu criasse alguma coisa nova, eu estaria dando sentido à vida, mas não só para meu bem, mas para os que convivem comigo. E que, o sentido da vida, estava no respeito que se deve ter “ao outro”, ao espaço “do outro”.
Desta forma vivi, pensando em minha criatividade, no espaço que eu sonhava para ocupar na sociedade, mas, especialmente, como professora e historiadora, dar e mostrar o espaço de vida que cada ser humano ocupa. E que não se pode ter felicidade gerada sobre os escombros dos outros.

Assim, buscar hoje a preservação de um bem cultural e histórico não é simplesmente salvar o que o outro construiu e viveu. É muito mais.
É entender o sagrado direito de participação que todo cidadão tem na sua trajetória.
“Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena”, dizia Fernando Pessoa, tão lembrado, por dizer que a alma precisa ser grande para fazer o correto, o direito, o ético, sobreviverem nas nossas tentativas de progresso.

E dizer que o sagrado que vive em cada coração humano, precisa ser valorizado em sua essência, e não na sua aparência; na sua generosidade, e não na sua propriedade; na sua ação cristã, e não na sua crença; na sua cidadania, e não na sua riqueza.

Quando tentamos “sentar em duas cadeiras”, não só corremos o risco de cair, mas, essencialmente, mostramos que não sabemos qual cadeira sentar, e isto, aprendi, é falta de personalidade, de rumo, de identidade.
Por favor, escolha a cadeira certa, pois é preciso participar desta hora de fé que nossa comunidade gramadense está a viver.
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 web_1063312   (593 dias atrás)
Li tua crônica e só hoje, lendo o Correio do Povo a compreendi inteiramente. Realmente, a tua reflexão tem sentido, e um sentido que tem faltado aos administradores desta linda cidade. Linda, porque sempre foi cuidada, linda porque acolhia as pessoas que buscavam a paz, a tranquilidade e a saúde mental, física, emocional. Hoje, esta beleza está ficando restrita às luzes de néon, azuis, verdes e vermelhas... aos enfeites e apelos de marketing... às vitrines que vendem a ilusão da beleza de outrora. Gramado está perdendo sua beleza natural e se tornando uma "Barbie" da serra. Todos querem ter, ver, brincar, mas ao deitar, buscam o seu ursinho de pelúcia para ter paz, consolo e alegria. Parabéns pela tua luta. Só lamento que as grandes vozes sejam muitas vezes abafadas pelas "vuvuzelas" modernas que impedem se estabeleça uma verdadeira comunicação. Escrevo indignada com os projetos do espaço da igreja.
 mariliadaros   (592 dias atrás)
Obrigada, mesmo não sabendo de quem se trata. Se for gramadense, o consolo de que, as pessoas nas ruas ou os internautas, me falam de que acreditam no mesmo que eu, me garantindo que não estou errada. Se for de fora, tenho certeza de que a Gramado que quero resgatar é a Gramado que muitos querem ver viva e contagiante. Saber que nem todos gostam do burburinho, pelo contrário, fogem dele. Saber que Gramado ainda é amada pela sua beleza, sabe Deus até quando. E tenha a certeza, meus avoengos antepassados, como de todos os gramadenses, estão revirando no além, ao verem em que está sendo transformada toda a luta de 93 anos para que a comunidade católica tivesse o que tem aqui. E não estão contentes não. A vida dele está perdendo o sentido. E isto não é nada bom para o presente e para o futuro.




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