| Texto publicado em 02/08/2010* - 00:00, segunda-feira. | por Marília Daros | | *Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 21 meses! |  TURISMO PREMATURO – A busca do conhecimento com amor Entre 15 e 16 de outubro de 1970, acontecia em Gramado o I SEMINÁRIO DE HOTELARIA E TURISMO, promovido pelo Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), órgão da Prefeitura Municipal de Gramado, uma pioneira na visão do turismo de nosso estado.
Antes éramos pioneiros, agora, somos apenas mais um.
Hoje, não somos mais tão vencedores assim.
|

| | Esta não é, certamente, a imagem que Oscar Knorr dividiu com a comunidade de Gramado e imaginou para seu espaço pós morte. Em vida foi uma casa, e hoje, mereceria memória e respeito. |
Entre 15 e 16 de outubro de 1970, acontecia em Gramado o I SEMINÁRIO DE HOTELARIA E TURISMO, promovido pelo Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), órgão da Prefeitura Municipal de Gramado, uma pioneira na visão do turismo de nosso estado.
A frase de chamada era: “ Incentive o Turismo em nossa cidade, participando do Seminário de Hotelaria.”
Aconteceu no auditório da Escola São Pedro e as inscrições foram no destacamento militar da cidade. Tinha o patrocínio do SENAC E COMTUR.
Os objetivos eram bem claros: proporcionar aos participantes a oportunidade de conhecimentos e discussão, sob a forma de debates, de temas atualizados dentro da área do turismo em geral, possibilitando assim, atendimento ao turista que acorria à região. Aberto para um público local formado por estudantes de 1º e 2º Ciclos, professores, funcionários públicos, hoteleiros, comerciantes e pessoas da comunidade interessadas no desenvolvimento do turismo local.
As palestras giraram em torno da Formação de pessoal especializado para Hotelaria e Turismo, conhecimentos sobre o SENAC e sobre TURISMO em sua essência. Também foram ministradas palestras sobre a história do Turismo, infra-estrutura, importância dos serviços de hotelaria. Sobre o Turismo e o Turista. A importância do turismo para o desenvolvimento do país e da região.
É bom com certeza, dar uma repaginada nos nossos conceitos de turismo atuais, pois creio que esquecemos do principal, que foi nosso início prematuro, mas extremamente consciente do que estávamos fazendo naquele momento. Gramado se imaginava crescendo e queria estar preparada para aquele novo desafio que a palavra TURISMO significava para o país, envolto no véu da Ditadura Militar, mas com uma visão de longevidade na esperança de crescimento ordenado.
Fomos pioneiros sim, lá atrás, neste olhar de comprometimento com qualidade e conhecimento do que estávamos fazendo. E basta ver este curso que preparou quem? A comunidade.
Por que hoje, não fazemos mais este trabalho de base? Não no curso superior de hotelaria e turismo, mas ali na base colegial, mostrando o quanto foi correto o nosso início educado? Quem tem competência hoje para retroagir nesta história e recontar recriando os passos deste tempo pioneiro?
Temos a fama de pioneiros educados para o turismo, mas nossos jovens não mais aprendem como nossos antigos aprenderam. Todos os anos nossos jovens são colocados no mercado de trabalho direcionado ao turismo, sem os afetos que tínhamos 40 anos atrás. Apenas são orientados de que o Turismo é a nossa ferramenta elementar e como tal, precisa ser usada, mas sempre mais pensando em si do que no conjunto da obra.
Ocupar uma cidade com eventos, ano inteiro, não é FAZER TURISMO.
É torná-la um “parque temático”.
E será isto o que realmente, queremos ser?
FAZER TURISMO em uma cidade é apresentá-la ao visitante, dizendo a ele, todos os talentos de seu povo e mostrando ao visitante, todos os dons naturais deste espaço que visita. Dizer ao visitante aquilo que ele quer ouvir: como vocês conseguiram fazer isto sem perder o sabor de viver de seu povo? Sem perder a identidade? Vivenciando sua cultura de raiz?
TURISMO é aprendizado permanente, de quem recebe e de quem visita.
E quando agora, perdemos a humanidade e ensinamos apenas uma profissão, não estamos preservando o tesouro enterrado por nossos antepassados recentes. E nem adianta comemorá-los ou dar o exemplo deles em nossos discursos.
Estamos vendendo nosso mapa a troco de poucas bananas para o povo e muitas pencas para alguns. Não foi isto que os nossos pioneiros visionários pensaram para nossa terra. E não venham me dizer que este é um pensamento antiquado. Discussão e debates, em meio à ditadura, sobre este assunto, isto sim era ser corajoso e investigativo. Criativo. Comprometido.
Gramado nunca foi de meia dúzia de gramadenses.
Gramado sempre foi de todos os seus habitantes que precisam novamente ser convidados, como lá em 1970, a pensar junto e a trabalhar junto para a preservação de nosso tesouro.
Não podemos vender Gramado.
Precisamos sim, fazer o tombamento histórico de seu povo criativo, prematuro e privilegiado em criatividade.
O Tombamento histórico do pioneirismo em Turismo organizado.
Quer mais do que isto?
Fazemos parte da história do Brasil, mais do que pensamos. E não sabemos o que fazer, corretamente, com isto. Sabem como eles conseguiram? Passando o chapéu sim, de porta em porta. Correndo atrás da imprensa. Mostrando os valores culturais e humanos de nosso povo. Vendendo um peixe fresco e bom.
E o mérito não é nosso e sim, de nossos doidos e corajosos aventureiros que viram no turismo a nossa maior indústria. Mas se prepararam para isto. E venceram.
Não estamos mais preparados para competir com o turismo total. Antes éramos pioneiros, agora, somos apenas mais um. Hoje, não somos mais tão vencedores assim. |  | |
|