| | Hortênsia Sargentiana ou falhada. |
Fomos tanto e hoje somos tão pouco.
Parece que se passaram dezenas de anos
E ao mesmo tempo, parece que foi a minutos atrás.
Éramos um turbilhão de afetos
E viramos córregos de indiferença.
Éramos como adolescentes descobrindo a festa
E agora, somos uma maturidade acovardada.
O mundo girava em torno de nós
E agora, giramos em mundos separados.
Olhávamos na mesma direção e hoje,
Cruzamos em caminhos comuns sem nos vermos.
Nossos corações batiam em harmonia
E hoje, os nossos passos perderam o compasso.
Olhar agora para nós significa,
Olharmos para lados opostos.
Onde terá ido parar tudo o que fomos?
O que somos agora?
Nem mesmo amigos somos...
Serão apenas lembranças, sem esperanças,
Sem crenças, sem construção futura?
Nem o que construímos sobreviveu ao nosso caos...
Onde está meu tudo, tão mudo,
Em meio à estrada vazia, com medos todos
De estender-me a mão amiga?
Teu mundo não mais o meu mundo.
Nossos mundos não são mais o nosso mundo.
Mas o meu mundo ainda espera pelo teu ingrato afeto,
Sem memória, apagando a história.
Vidros escuros escondem teu olhar, talvez saudoso,
Talvez medroso, talvez indiferente.
Janelas fechadas te isolam do meu mundo,
Do meu olhar, do teu viver.
Separam-te de meu mundo aberto e colorido.
Ruas em cruz desviam nossos encontros
E nos encaminham para caminhos diferentes.
Abra a janela, respire fundo,
Deixe a minha luz
E o ar manso te tocarem.
Deixe que eu vá com esta luz e este ar,
Para comungarmos de um mesmo mundo.
Somente no meu mundo é que teu mundo encontrará
A real companhia e seu real prazer.
Mas para isto,
É preciso perceber, tentar ser e,
Especialmente, querer participar.
Meu mundo está
Eternamente a te esperar. |  | |