| Texto publicado em 24/11/2010* - 00:00, quarta-feira. | por Ítalo Amorim | | *Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 17 meses! |  Queria ser um parnasiano Parnasiano: poeta ou escritor pertencente ao movimento literário conhecido como Parnasianismo.
Parnasianismo: movimento literário essencialmente poético, contemporâneo do Realismo-Naturalismo. Desenvolveu-se na poesia a partir de 1850, na França.
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Durante a escola, em mais uma das várias oportunidades em que fui presunçoso, esbravejei contra uma pobre professora de literatura: “jamais usarei isso na minha vida”. Hoje, ironicamente, meu discurso é outro. Eu queria ser um parnasiano com todas as minhas forças.
Aristóteles, o famoso físico-filósofo-linguista-biólogo da Grécia antiga escreveu - dentre outras obras - Arte Retórica. Nele, Aristóteles faz ensaios sobre os textos persuasivos, define as diferenças entre convencimento e persuasão e separa um bom texto argumentativo em quarto partes. Basicamente: exórdio, narração, provas e peroração.
Um homem. Grandioso por ser aluno de Platão e mestre de Alexandre, o Grande. Esse homem passou anos estudando para escrever Arte Retórica em três partes, chamadas de Livro I, Livro II e Livro III. Tudo isso para que, alguns séculos depois, viessem os parnasianos. Os parnasianos colocaram fora todos os estudos de nosso herói grego e diminuíram a palavra retórica ao sentido de floreio. Para eles, a mensagem argumentativa era menos importante do que a estética dos poemas.
Traduzindo: os parnasianos faziam o que queriam e o que gostavam.
Leia este poema de Olavo Bilac, um dos maiores representante do movimento:
Deixa o Olhar do Mundo (Olavo Bilac)
Deixa que o olhar do mundo enfim devasse
Teu grande amor que é teu maior segredo!
Que terias perdido, se, mais cedo,
Todo o afeto que sentes se mostrasse?
Basta de enganos!
Mostra-me sem medo
Aos homens, afrontando-os face a face:
Quero que os homens todos, quando eu passe,
Invejosos, apontem-me com o dedo.
Olha: não posso mais!
Ando tão cheio
Deste amor, que minh’alma se consome
De te exaltar aos olhos do universo…
Ouço em tudo teu nome, em tudo o leio:
E, fatigado de calar teu nome,
Quase o revelo no final de um verso.
Não é difícil perceber como o texto não se esforça em persuadir o leitor. Muito pelo contrário, ele é arte por arte e não precisa de explicação. Fala de um amor, mas pode ser uma crítica oculta aos invejosos. O retórico, vindo do estudo da persuasão se transformou em retórico artigo de embelezamento de texto.
Por isso queria ser um parnasiano. Fazer coisas que só eu entendo e só minha própria experiência pode criticar, ser apaixonado pelo que faço e ainda ganhar a vida com isso. |  | |
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