No dia 8 de dezembro de 1825 nascia no Rio de Janeiro, Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael de Gonzaga e Bragança, mas que ficou conhecido como Pedro II. Neste mesmo ano seu pai o imperador Pedro I tomava junto aos bancos da Inglaterra um vultoso empréstimo em Libras Esterlinas, nascia assim também a dívida externa brasileira. Foram três milhões e 700 mil libras. Portanto neste ano de 2005 que se encerra, completam-se 180 anos de endividamento externo, feitos pelo país já independente.
Mas, não foi responsabilidade única do primeiro imperador brasileiro, o país já nasceu endividado, pois que adquiriu parte da dívida de Portugal. Para ser mais preciso, a primeira dívida brasileira foi contraída pela Casa Real Portuguesa em 1808, éramos ainda uma Colônia de Portugal. Dívida que acabou sendo repassada ao Brasil, conforme acordos da Independência (independência???). O país herdou 1,3 milhões de Libras Esterlinas da dívida de Portugal.
Quando a família Real portuguesa e membros da Corte fugiram da Europa em dezembro de 1807, quem protegeu os navios que os transportaram foi a Marinha Britânica. Aqui chegados, não havia potencial bélico para fazer frente a uma possível invasão do Brasil pela armada napoleônica. Os britânicos cobravam pela defesa, de uma bala de mosquetão até a de canhão. Para não ficar a mercê dessa proteção caríssima, D. João, então Príncipe Regente, compra uma fazenda para lá instalar uma fábrica de pólvora e com isso poder industrializar balas para os seus mosquetões e canhões. Junto dessa fábrica, foi instalado um jardim de plantas nativas e exóticas. Foi fundado o então o Jardim Botânico Rio de Janeiro. Quem o conhece, já deve ter visto as ruínas da antiga fábrica de pólvora, que fica bem no centro desse museu de plantas vivas.
Durante o período que o Brasil foi um reino, foram contratados 17 empréstimos. Desta forma, quando a República foi proclamada, recebeu uma dívida externa de 30,4 milhões de Libras Esterlinas. A maior parte desse dinheiro jamais chegou ao país, ficando na Europa, para pagamentos de juros e comissões de intermediários. Incluem-se nesse montante os contraídos para financiar a guerra contra o Ditador Rosas da Argentina, e principalmente para pagar a guerra contra o Paraguai. Essa atendia aos interesses ingleses. Mas, isto é outra história.
Não haviam passados 10 anos da nova república, e já o Brasil em 1898 atravessava grave crise financeira estando impossibilitado de pagar a sua dívida externa. Prudente de Moraes, então presidente da República desejava contrair novo empréstimo para saldar parte de outros anteriores, o que hoje é chamado de rolar a dívida. Entretanto, o presidente eleito, mas não empossado Campos Salles, viaja à Londres para renegociar a divida brasileira. O que é feito pela consolidação da mesma, na forma chamada de “Funding Loan”. Aquela renegociação atendia aos interesses dos banqueiros ingleses como também da futura política ortodoxa a ser praticada por Campos Salles no seu mandato. Encerrado esse período o que tivemos foi que em 1906 com a "Política de Valorização do Café", governadores de SP, MG e RJ assinaram o Convênio de Taubaté que estipulava a contratação de empréstimos no exterior para comprar e estocar o excedente de produção de café. Resolvia-se o problema imediato da burguesia cafeeira a custos para a maioria da sociedade. O café era na época a nossa maior pauta de gerar divisas para o país. “Pagar dívidas velhas com dívidas novas virou norma” e ao final do governo Washington Luis, em 1930, já devia o país 237 milhões de libras esterlinas. Essa prática acarretou num aumento e não na diminuição do endividamento, que sequer financiou nossa industrialização, mas sim a importação de bens manufaturados e exportação de bens primários. Nesse ano gastávamos 25% de nossas receitas de exportação com os serviços da dívida.
Em 1931 Getúlio Vargas suspendeu o pagamento da dívida externa e ao renegociá-la em 1937 passou de 40 milhões de Libras Esterlinas para 44 milhões. Suspensa novamente no final de 1937 é retomada em 1940 e renegociada em 1943.(SEGUE) |  | |