| Texto publicado em 07/09/2010* - 21:49, terça-feira. | por Décio Baptista Pizzato | | *Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 20 meses! |  
Depois do sucesso de venda do livro 1808, com mais de 600 mil exemplares, o ex-editor executivo da Revista Veja, Laurentino Gomes, lança sua mais recente obra, 1822 – Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil – um país que tinha tudo para dar errado. Fico feliz em ver escrito de forma clara a verdadeira história do país. Em setembro de 2005 escrevi um breve artigo que levava o título O nascimento de um país sobre o que aconteceu naquele distante dia sete de setembro de 1822, por volta das 16 horas. Tomei por base o testemunho ocular do Padre Belchior Pinheiro de Oliveira. Esse documento se encontra na Biblioteca Nacional. Onde está o seguinte trecho “vinha (o príncipe D. Pedro) de quebrar o corpo à margem do riacho do Ipiranga, agoniado por uma disenteria, com dores, que apanhara em Santos, quando recebeu a correspondência vinda de Lisboa com exigências inaceitáveis. Ao tomar ciência do conteúdo, atirou os papéis no chão e os pisoteou. Depois recompôs a farda e dirigiu-se lentamente a estrada onde estacionara a sua comitiva. Parou repentinamente e disse (a Belchior): Nada mais quero do governo português e proclamo o Brasil para sempre separado de Portugal!”. No mesmo texto, Padre Belchior informa que o príncipe regente não montava um garboso corcel, como sua figura foi representada, mas sim uma mula.
O livro de Laurentino Gomes não só trás esta informação como amplia a participação de outros personagens da independência do país, a quase esquecida princesa Leopoldina, primeira esposa de D. Pedro e a forte participação de José Bonifácio. O escocês louco por dinheiro do título é o almirante Thomas Alexander Cochrane.
Desta forma, graças ao mau humor decorrente de uma evacuação intestinal, o país se tornou independente.
A história brasileira é prodiga em alterar para uma forma épica os fatos reais. Coisa dos marqueteiros da época como bem ilustrou Pedro Américo na pintura Independência ou Morte (1888), mais conhecida como O Grito do Ipiranga, que está no museu Paulista.
Assim os livros vão contando versões mais palatáveis da história do país. Também fatos vão sendo deixados de lado e quase nunca citados.
Sempre se diz que a Certidão de Nascimento do Brasil é a Carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, D. Manoel. Nesta carta em que não só narra o descobrimento como também detalha o que foi visto e encontrado. Quase nunca é citado o trecho final onde Caminha escreveu o seguinte antes de assinar: "E pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro -- o que d'Ela receberei em muita mercê.
Beijo as mãos de Vossa Alteza.
Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500."
Pero Vaz de Caminha não estava pedindo uma passagem de navio para o seu genro e sim um emprego na corte portuguesa. Está enraizada desde 1500 a tradição de pedidos por cargos públicos. O inchaço atual da máquina pública é explicado pela nossa certidão de nascimento. Se assim o quiserem.
O próximo livro de Laurentino Gomes levará o título de 1889, será sobre a proclamação da República. Com toda a certeza será dito que o Marechal Deodoro da Fonseca, que se encontrava acamado, saiu às ruas com o intuito de defender o imperador D. Pedro II, mas seus gritos de –Viva o imperador, era abafado pela turba que gritava- Viva a República. Será com certeza mais um livro delicioso de ler como este 1822. |  | |
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