Mais um ano se passou. O ano de 2007, no plano ético, social e moral foi um desastre.
Apesar disso, a população brasileira se diverte nas festas de final de ano. Troca presentes no Natal, comemora o Ano Novo e depois, mais tarde, sem nenhum motivo aparente, cai no samba no Carnaval, suando e bebendo sem parar, numa verdadeira metamorfose de valores.
Essas festas de final de ano funcionam como verdadeiros anestésicos para o povo brasileiro. Todo mundo comemora sem saber o que está comemorando.
O povo brasileiro não só tem memória curta, como também adora se entorpecer com festas e mais festas, comemorações e mais comemorações, esquecendo que vivemos numa época de crise social e moral.
A sociedade está em crise e não sabe (ou não quer saber)!
No ano de 2007 tivemos um coquetel de corrupção, servido a la carte para o povo (parafraseando a expressão de Gilles Lipovetsky, em sua obra sobre a Sociedade Pós-Moralista).
Dentre os acontecimentos deploráveis, vimos o Presidente do Senado Federal, envolvido em corrupção até o último fio de cabelo, ser absolvido por seus pares; vimos a roubalheira na Assembléia Legislativa do Estado, no caso específico dos selos; assistimos de camarote que a corrupção no Detran rola solta e vimos os mensaleiros saírem ilesos na presença de um Presidente cego, surdo e mudo!
E o povo, a par de tudo isso, comemora.
É uma pena desestimular os otimistas de plantão, mas o ano de 2008 será pior que o de 2007!
Certamente a corrupção vai continuar, pois o Brasil sem corrupção não é o verdadeiro Brasil. O povo vai continuar se anestesiando, se omitindo, sambando e suando, pois povo que não faz isso não é o povo brasileiro.
Que entremos 2008 com muita bebida, samba e suor, pois a corrupção e as mazelas sociais vêm de graça! |  | |