Ao final de cada ano sempre surgem as futurologias, assim como as previsões feitas anteriormente são corrigidas. Até este humilde escriba colocou sua colher torta com os artigos "2011, o ano cinzento", de 19/05/2010 e "Alterando o matiz", de 12/08/2011.
Os números de 2011 não corresponderam às estimativas oficiais e muito menos a euforia dos cortesões de plantão. As coletas feitas pelo Boletim Focus, que tem o Banco Central como seu divulgador, apontava que o PIB deste ano teria um crescimento de 4,5%. Se chegar a 3%, louve aos céus. A inflação oficial, prevista pelo IPCA em 5,21% chegará a 6,5%. É clara a pisada no freio dos brasileiros, que está refletida nos primeiros números do quarto trimestre onde aparecem os sinais de recessão. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou em outubro queda de 0,32% ante setembro, na série com ajuste sazonal. Na comparação com outubro de 2010, o índice do BC mostra expansão da atividade econômica em 0,35%. Esse desempenho ficou abaixo do piso das previsões dos analistas que iam de expansão de 0,70% a +1,90%, na comparação entre outubro de 2010 com outubro de 2011.
Já os juros básicos, estimados em fechar o ano em 12,25% vão fechar 2011 em 11%, ajudados pela diminuição da tomada de crédito. Tanto que neste dezembro o governo baixou as alíquotas tributarias cobradas, para fazer crescer o consumo ao mesmo tempo estimular o crédito. A calmaria do Ano do Coelho continua não acontecendo.
Para 2012, tanto a CNI e a FIESP estimam o crescimento do PIB de 2,3% e 2,6%, respectivamente. Para a CNI a inflação oficial medida pelo IPCA é projetada em uma alta de 5,2% em 2012, ainda dentro estimativa para mais de 2% do centro da meta do governo, que é de 4,5%.
Já que o mote principal é o horóscopo chinês vamos ver o que dizem sobre a relação com aquele país.
Pela avaliação do analista Luis Stuhberguer, da Credit Suisse Hedging Griffo, a China, apesar de ser o maior comprador das exportações do Brasil, configura hoje um dos principais riscos estruturais para a economia brasileira, avalia. Em relatório intitulado “It´s the end of the world as we know it. And I feel fine!” (É o fim do mundo como o conhecemos. E eu me sinto bem!), em referência à música de mesmo nome da banda REM, ele destaca os principais pontos de preocupação para o País, os problemas das economias européias e comenta que os Estados Unidos, por sua vez, estão em recuperação.
Os principais riscos para a economia brasileira, na avaliação de Stulhberguer, estão relacionados a “mitos” da economia chinesa. Enquanto costuma-se prever que a China terá um bilhão de consumidores em 2030, o que significaria um gigantesco mercado consumidor não apenas para o Brasil, mas para todo o mundo, ele diz que, na verdade, o crescimento demográfico está se tornando negativo no país. No mesmo sentido, enquanto se previa que o país asiático passaria por uma mudança para uma economia de consumo, com redução da poupança, o que se observa são o aumento da poupança de empresas e a continuidade da dependência do comércio internacional e do investimento. Não bastantando isso, além da China, o analista também aponta problemas internos brasileiros que configuram riscos ao País, como a falta de competitividade da indústria, o sistema de previdência insustentável e a taxa de investimento público do Brasil, que é de apenas 2,4% do PIB. Em porcentagem das receitas primárias da nação, os aportes são somente 7%, valor que coloca o Brasil na frente apenas da Hungria e da Argentina em uma lista com 27 países emergentes. Stuhlberger também cita a alta carga tributária brasileira, que chega a 34,4%, enquanto a média de outros países emergentes é de 25,1%.
Talvez impulsionado por ser 2012 o Ano do Dragão, o presidente da China, Hu Jintao, prometeu ampliar o número de importações realizadas pelos chineses, de modo a impulsionar o comércio global. O anúncio do líder chinês foi feito durante as celebrações do décimo aniversário da entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC). De acordo com Hu, as importações realizadas pela China poderão ultrapassar oito trilhões de iuans (cerca de R$ 2,3 trilhões) nos próximos cinco anos.
O governo Chinês apresentou o seu plano de segunda maior economia do mundo para o próximo ano, Pequim prometeu manter a política monetária "prudente" e a política fiscal "proativa", ao mesmo tempo em que garantiu preços ao consumidor estáveis, discurso amplamente em linha com comentários anteriores.
Mas foi a visão da China sobre o quadro econômico global que sinaliza o desafio da política que pode vir à frente. "Olhando para o próximo ano, a tendência da economia global como um todo é severa e complicada. As incertezas estão crescendo em torno da recuperação da economia mundial", informou um comunicado divulgado pela agência oficial de notícias Xinhua.
Já no velho continente, enquanto a anda as voltas com suas fragilidades fiscais e financeiras, a Velha Albion decidiu não se unir ao pacto para coordenação fiscal e disciplina orçamentária entre os países da União Européia. O pacto, anunciado durante reunião de cúpula entre os líderes da União Européia teve como objetivo acalmar os mercados financeiros sobre a crise das dívidas do continente. O tratado teve apoio de 26 dos 27 países do bloco – apenas a Grã-Bretanha ficou de fora. O Euro é a moeda única desses países, com exceção da Inglaterra que continua com a sua Libra. Os demais são denominados como pertencentes da Zona do Euro. Pelo que se vê parece mais um Euro de Zona.
Fora do clubinho, a Grã- Bretanha ficou parecendo àquela personagem criada por Harold Gray para as tiras americanas diárias, Little Orphan Annie. Esta orfandade está mais para viver na Zona, como já está acontecendo.
Estudantes britânicos com crescentes problemas de custos por conta das medidas de austeridade do governo estão se voltando para a prostituição, os jogos de azar e outras atividades perigosas para financiar seus estudos.
A Cooperativa Inglesa de Prostitutas (ECP, na sigla em inglês), os ingleses são organizados neste ramo, uma entidade que cuida das trabalhadoras do sexo, disse que o número de pessoas que procurou a organização em busca de ajuda dobrou no último ano, com estudantes se esforçando para cobrir as despesas.
O Escritório para Estatísticas Nacionais (ONS, na sigla em inglês) divulgou que o número de pessoas desempregadas no Reino Unido subiu para o nível mais alto em 17 anos, em novembro. Além disso, o total de pedidos de auxílio-desemprego atingiu o nível mais alto em quase dois anos, subindo três mil em novembro, para 1,6 milhão.
Por enquanto a situação é calma aqui neste país, não se prevê uma euforia de crescimento econômico para 2012 e nem tampouco situações periclitantes como a da Europa. As garantias são os Depósitos Compulsórios retidos no Banco Central, na casa de 422 bilhões de reais e as Reservas Internacionais em 351,98 bilhões de dólares.
Então afinal o que representa para o Brasil ser 2012 o Ano do Dragão? Toda a euforia de termos passados quase ilesos na crise de 2008-2009 foi segurada pelo aumento da Dívida Pública e na escorchante arrecadação tributária. Óbvio, sem ter contrapartida no mesmo nível.
Entretanto, vale lembrar que para o país, a inflação, esta que tudo corrói, tem como imagem o Dragão. |  | |