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Texto publicado em 19/06/2010* - 00:00, sábado.por Ítalo Amorim
*Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 23 meses!
Mulheres, facilitem seus nomes
Reproduzo aqui trechos do depoimento de um amigo meu. Tais observações levarão a uma incrível revelação para a humanidade e, consequentemente, grandes questionamentos serão levantados.

A história é simples e não possui nenhum cunho científico, mas eu garanto que você ficará embasbacado, intrigado, boquiaberto - e afins - ao final do tal depoimento.

Ia dizendo sobre esse meu amigo (cabe frisar que o sujeito da história, nosso protagonista, é um homem bem apessoado e, claro, mulherengo):
Foi para a balada naquele sábado. Foi sozinho. A galera do poker não estava muito afim de zoação, não foi o Almeida, não foi o Carlos, nem o arroz de festa Marquinhos quis ir. Mas a cidade estava cheia e ele que não seria o bobo de perder essa oportunidade, né?
Colocou uma camisa pólo listrada, meio curta no braço que era para aparecer os efeitos benéficos da malhação quase que diária. Ajeitou o topete, com um pouco de gel para ele não cair durante a noite e banhou-se num perfume italiano que ganhou da ex-namorada, a Carol.

Estava tudo certo, pegou o melhor carrinho do pai, colocou uma coletânea de reggae que gravou e quando se deu por conta estava na porta da casa noturna. Entrou e logo pegou uma cerveja. Sentou numa das mesas dispostas no ambiente.

De repente, sem mais nem menos, como que por obra do destino ou de Deus - como o meu próprio amigo descreve a situação – cinco beldades lindas e louras se aproximam e começam a puxar assunto.

Disseram que não eram da cidade e que estavam meio perdidinhas e que não conheciam muita
coisa, e aquelas outras mentirinhas bobas que se contam na hora do approach.

O nosso amigo logo pensou: “Hoje vou me dar bem!”
Numa empreitada, foi até o barman e pediu com desenvoltura:
- Me desce o champanhe mais caro que você tiver aí e traz seis copos. E bota uns moranguinhos que hoje o negócio vai ser bom.

O rapaz sorriu com um pequeno tom de inveja e adentrou a adega em busca do espumante vencedor.

Voltou e, cabisbaixo, entregou o pedido do amigo que se dirigiu logo para onde as moças estavam.

Não podia perder a oportunidade.

Ele iria abrir aquele espumante de forma sutil, ao que uma delas disse para ele estourar a bendita
rolha. Ele acatou. Flexionou seu bíceps para que o mesmo mostrasse o quanto levantar ferro
semanalmente ajuda nessas horas, chacoalhou umas duas vezes a garrafa e, com o polegar,
pressionou a rolha para fora. Foi uma maravilha. Parecia uma cachoeira de puro doce líquido.

As moças deram uma risadinha, meio que se entregando. Gostaram de ver aquela cena. Daquele
macho abrindo a bebida com tal voracidade. Imaginaram-se na noite de núpcias com o garanhão e quantas coisas malucas poderiam fazer.

Todos sorveram daquele mel gaseificado e a noite começava a ficar boa. Pediram mais um
champanhe. E outro. E mais um. E quando viram estavam todos rindo sem motivo aparente, ou seja, bêbados.

Algumas garotas acabaram se dispersando e o protagonista ficou defronte a mais bela das mulheres daquele grupo.

Ele a atacou. Atacou como um lobo feroz. Como uma hiena ataca uma carniça. E aquele beijo foi
intenso, quase saiam faíscas.

Depois de algum tempo, nosso amigo ganhou a noite: consegui levá-la para o motel. No motel, ele
gastou todo o caderninho de apelidos fofinhos, carinhosos – tipo gatinha, coração e etc - e até os
mais sensuais que não cabem ser explicitados aqui.

Os apelidos foram se esgotando e depois que os dois já estavam esgotados também, ele cogitou
chamá-la pelo nome. Aí está o problema. Ele não lembrava o maldito nome. Lembrava que ela havia mencionado o nome e que ele era um pouco atípico, mas não recordava qual era.

Nada soa como mais desinteresse do que não lembrar o nome.

P.S.: Na verdade a maioria dos homens tem um problema sério com nomes a ponto de existir um
movimento que prega a Facilitação do Nome. Mulheres com nomes mais alternativos, devem se
apresentar apenas com apelidos diminutivos nas baladas. Tipo Si, Mô, Jú, Tá e coisa e tal.

Meu amigo não poderia revelar à moça que esquecera seu nome. Precisava inventar um plano.

Esperou ela pegar no sono para fuçar na sua bolsa e encontrar algum documento. Mas eis o
problema: ela adormeceu em seu braço esquerdo. Quanto mais ele se mexia para fugir daquela
armadilha, mas ela se agarrava em seu braço bombado.

No final das contas deu tudo certo, nosso protagonista teve uma noite boa com uma mulher
maravilhosa, deixou-a em casa e ela lhe deu seu telefone.

Ela esperava que ele ligasse, mas ele não ligou. Não porque ele é um cara malvado que usa as
mulheres. Não. Pelo contrário, ele adoraria ter outras noites como aquela. Mas ele não ligou. E não o fez por causa do maldito nome difícil.

Então, mulheres: se ele não ligar no dia seguinte, não significa que ele seja um cafajeste, ou que
vocês tenham feito algo de errado. Muitas outras coisas passam pela cabeça de um homem. O tal do nome é uma delas. Por isso, aqui vai a dica: facilitem seus nomes na balada. É um pedido dos
homens.

Agora, depois de tudo isso, vem o ponto vital.

Por que, diabos, nós homens, temos tanto problema com os nomes das mulheres que passam
momentos interessantes com nós e em contrapartida temos a exímia capacidade de saber
exatamente que o nome do artilheiro da atual Copa do Mundo se chama Higuain, é argentino e
atacante ou que sabemos que Salpingidis é o nome do cara que fez o primeiro gol da Grécia em
Copas do Mundo?
Por que, diabos?
Estou intrigado.

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