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Texto publicado em 08/07/2010* - 10:10, quinta-feira.por Juan Domingues
*Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 22 meses!
Depois da Copa
O homem é mesmo um sujeito de hábitos. Eu me acostumei aos jogos da Copa do Mundo às 11h. E logo depois do almoço, mais um joguinho, às 15h30min. Maravilha. Mas e agora? Depois de domingo, quando todos se despedem da África do Sul – e o continente africano voltará à rotina de conflitos, doenças e fome e ao solene e histórico esquecimento mundial –, não haverá mais as saborosas partidas próximas ao meio-dia. O que fazer?
A Copa realmente mexe com as pessoas. Se não altera o ânimo de quem não gosta de futebol, pelo menos muda o comportamento social de uma maneira geral. Os bancos alteram seus horários em dias de jogos da Seleção, o comércio fatura mais, os bares registram aumento na freqüência e cresce, substancialmente, o consumo de pipocas nas casas e nos escritórios.

Assistir aos jogos da Copa também não é a mesma coisa do que assistir, por exemplo, Grêmio x Ceará. Com todo respeito, é muito mais animador ver em campo a Argentina, o Uruguai, a Alemanha, a Espanha e a Holanda. Eu me acostumei até com chatice das vuvuzelas.

Já não sei como encarar, semana que vem, Guarani x Inter, pelo Brasileirão. Sim, depois de um mês apreciando grandes jogos, muitos deles com jogadores de altíssimo nível, é preciso voltar à rotina do Brasileirão, um campeonato considerado por muitos como o mais difícil do mundo. Até pode ser. Eu mesmo cheguei a pensar assim um dia. Mas logo depois de uma Copa do Mundo, o Brasileirão é uma competição muito, mas muito menor.

Em vez de assistirmos Higuaín e Robben, veremos Jonas e Alecsandro. Em vez de Davi Villa e Özil, teremos de nos contentar com Taison e Borges. Meus olhos se acostumaram a ver Lugano, Schweinsteiger, Iniesta, Huguaín, Asamoah Gyan. Precisarei, urgentemente, mudar meu foco para Bolívar, Giuliano, Leandro Damião e Sóbis. Comparar é covardia, eu sei. Mas como não fazê-lo?

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