Toda criança ao nascer é um gênio em potencial. Essa é a principal conclusão do mais recente livro do psicoterapeuta José Angelo Gaiarsa. Em Educação Familiar e Escolar para o Terceiro Milênio, publicação da Editora Ágora, ele se contrapõe à idéia de que o indivíduo nasce com aptidões mínimas de aprendizado, estando pronto, por volta dos 4 ou 5 anos, para freqüentar a escola. Aprender vai muito além das palavras. É na infância, segundo Gaiarsa, que são plantadas na personalidade e no cérebro as raízes da maior parte das perturbações mentais, psiconeuróticas e psicossomáticas de que os seres humanos podem sofrer. Portanto, usar as potencialidades do cérebro corretamente possibilita um desenvolvimento integral do ser humano, que estará mais bem adaptado ao dinamismo dos novos tempos.
Gaiarsa se inspirou no trabalho de Glenn Doman – fundador dos Institutos do Desenvolvimento Humano, sediados na Filadélfia - para apresentar os fundamentos dessa educação. Com o objetivo de integrar e estimular as capacidades infantis inatas, a nova perspectiva educacional rompe com a visão tradicionalista, incorporando aspectos antes ignorados na formação intelectual e social das crianças.
“O cérebro desenvolve 90% do seu volume até os 6 anos. É nesse período que a criança apresenta a maior capacidade de aprender. Educar não é só ensinar a falar. É ensinar a ser”, afirma Gaiarsa. Para ele, os pais devem promover a estimulação correta de movimentos autônomos desde o berço. A partir daí, há uma correspondência do desenvolvimento da inteligência e da autonomia das crianças, incluindo a emocional. Isso envolve exercícios de motricidade e de equilíbrio.
Deixar o bebê de bruços no chão, por exemplo, o estimula a procurar maneiras de se locomover.
“Por volta dos 3 aos 4 meses, é recomendável incentivá-lo a agarrar objetos e depois soltar. Esse exercício faz com que o indivíduo aprenda a se desprender emocionalmente. Assim, ele não ficará agarrado à mãe e à esposa pelo resto da vida”, diz.
Gaiarsa critica a falta de individualização, pois ao considerar a educação aplicada sempre ao coletivo, deixamos de reconhecer novas possibilidades na personalidade que podem ser diferenciais enormes no mundo que conhecemos como ideal. Segundo ele, a grande revolução pedagógica está em valorizar a capacidade inata de cada criança, dando vazão ao que cada uma tem de um “Leonardo da Vinci”.
Para o psicoterapeuta, o que se estabeleceu como princípio pedagógico, primando pela fala e repetição oral dos ensinamentos, deixou de explorar outros recursos tão importantes quanto. Na obra, ele traz os parâmetros da fisiologia da motricidade (os movimentos do corpo), da visão, da respiração, do cérebro e sua circulação sangüínea, além de outras formas fundamentais de aprendizagem. Ele atribui ao movimento uma forma de aprendizado efetivo, já que dois terços do cérebro são motores, pois guardam situações e personagens, e não palavras isoladas.
Por BrasilAlemanha - Maicon Rodrigues