Em entrevista gravada para o programa “Fantástico” do dia 1º de janeiro de 2006 da Rede Globo de Televisão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “Todo o episódio foi como uma facada nas minhas costas”, se referindo a corrupção que envolveu lideranças do Partido dos Trabalhadores e membros do seu governo. Mesmo assim continua a desconversar sobre a indicação de nomes das pessoas que o traíram neste escândalo. Ao mesmo tempo em que omite nomes, pela primeira vez afirma que houve corrupção em seu governo. Finalmente deixou de afirmar que não sabia de nada. Desdiz as afirmações de vários próceres de seu governo, que afirmam que o episódio do “mensalão”, entre outros, não existiu, pois nada foi provado.
Quem acompanhou os dados trazidos a público, viu como foram feitas as transferências de recursos pelo operador do sistema, senhor Marcos Valério, operações montadas através de suas empresas de publicidade. Sabe-se assim que até o presente momento já somam mais de R$1,2 bilhão, o volume dessas operações. Há participação nesse esquema de quase todas as empresas estatais. Empresas onde foram colocados em postos chaves, correligionários para executarem o plano arquitetado para desviar recursos públicos. Operações sofisticadas, que envolveram empresas em paraíso fiscais, transferências de recursos vias bancos sediados no exterior e instituições financeiras brasileiras. A engenharia deste sistema de corrupção é de tal magnitude, com alto grau de complexidade, feita por profissionais conhecedores do assunto. Mostra como o lado do mal sabe trabalhar.
Agora você que está me lendo, pense ao contrário. Se toda essa inteligência e sofisticação fossem usadas para o lado do bem, o que estaria acontecendo? Com toda a certeza teríamos, impostos menores, melhores aplicações dos recursos nas áreas sociais, haveria investimentos em infra-estrutura, em desenvolvimento. Empregos seriam gerados rapidamente, sempre as centenas de milhares, haveria crescimento da renda do brasileiro. O Produto Interno Bruto não viveria aos soluços, o país teria crescimento seguro e condizente com a sua capacidade. Mas não! Foi vendido ao longo de 25 anos pelo partido que hoje é majoritário no governo, de ser detentor da ética porque em sua agremiação estavam os justos e bons. Foram dezenas de milhões de eleitores enganados. E deu nisso tudo que está aí.
Não eram éticos, e se um dia o foram, o deslumbramento do poder os cegou, e deixaram de ser. Como bem escreveu Ovídio em seu poema Metamorfoses, VII: “Vídeo meliora proboque, deteriora sequor”, traduzindo: “Vejo o bem e o aprovo, mas sigo o mal”. |  | |